Dúvida

 Sábado meu filho tem uma festinha para ir, e no convite veio a sugestão: "traga roupa de banho para a piscina". No mesmo instante, minha cabeça se encheu de dúvidas: mesmo sabendo nadar, não será perigoso? A piscina é funda? Haverá adultos tomando conta? Porém, todas as dúvidas foram dissipadas quando a mãe da aniversariante informou que a piscina é rasa e haverá dois monitores tomando conta. Respirei aliviada, mas passei meus temores para meu menino, que àquela altura decidiu que não queria mais ir. Tentei convencê-lo do contrário: será um momento bom entre seus amigos, uma maneira de interagir fora do ambiente escolar, uma tarde gostosa... e finalmente ele aceitou. Porém, quando ele finalmente concordou, a dúvida retornou pra dentro de mim, trazendo junto o medo característico das mães que querem seus filhos bem perto de suas asas.

 Quando duvidamos, permitimos que o medo se entreponha entre nós e

"O problema não é crescer, mas esquecer..."

 Tomei a frase-título emprestada do filme "O Pequeno Príncipe" _ a nova animação, dirigida por Mark Osbourne faz uma emocionante releitura do clássico de Saint-Exupéry e nos abraça com a história de amizade entre o aviador e uma menina, pra quem ele conta a história do principezinho, repleta de ensinamentos em forma de poesia.

 É para a menina que o aviador fala: "O problema não é crescer, mas esquecer". E entendemos que ele tem razão, ao constatarmos que o amadurecimento impõe despedidas, e nesse processo muitas vezes esquecemos quem fomos e os vínculos que construímos no decorrer do caminho. Como o principezinho, cativamos e fomos cativados ao longo da vida, mas muitas vezes preferimos esquecer para poder crescer.

 No último fim de semana, comemorando

A vida programada

 Há quase dez anos, quando fiquei grávida, arquitetei o roteiro todo. Pesquisando em livros ou na internet, descobri que o bebê precisava de rotina, e estabeleci toda a programação para que nossas vidas seguissem o rumo certo.
 Eu não imaginava que teria surpresas, não só por ter um bebê em casa, mas porque a vida surpreende mesmo.

 Meu filho, como era de se esperar, não seguiu o script. Ao contrário, teve refluxo e passava dias e noites acordado, procurando algum tipo de conforto. Descobri que meu leite e eu éramos o conforto dele, e então desenvolvemos uma espécie de simbiose durante a qual, por algum tempo, perdi a noção de quem eu era de fato.

 Assim, de forma definitiva, aprendi que não é possível estabelecer um roteiro para nossas vidas, e que a busca por um lugar seguro é apenas uma necessidade que temos de achar que controlamos alguma coisa.

 Na época do vestibular, eu estudava muito e gostava de ler e escrever. Tinha o desejo genuíno de ser

Tente outra vez

 Seu Vitório, o jardineiro do meu condomínio, tem os olhos bondosos que denunciam uma alma nobre. É simples, de gestos contidos e fala humilde. Aparenta estar próximo dos setenta anos, e trabalha com uma resignação rara. Hoje pela manhã, diante da ventania que arrastava folhas secas por todo canto, mexi com ele: "o vento tá te dando trabalho, hein seu Vitório! Vai tirar as folhas hoje e amanhã estarão todas aí de novo?", ao que ele respondeu: "Tenho que tirar. Ontem tinha deixado tudo limpinho, e olha como está hoje. A gente não pode parar..."

 Ele continuou seu trabalho, eu segui meu caminho. Mas fui pensando no gesto de seu Vitório. Todos os dias, sob o sol forte ou chuva fina, ele trabalha cuidando de nossos jardins. Todos os dias, com ou sem ventania, remove as folhas secas do gramado e de nossas garagens. Sabe que terá que repetir _ o vento é uma criatura persistente _ mas não desanima enquanto refaz o serviço diariamente.

 Talvez ele se ressinta de trabalhar em vão. Talvez _ e eu torço para isso _ ele perceba que