Ação de Graças


 O Dia de Ação de Graças é um feriado celebrado nos Estados Unidos e no Canadá, observado como um dia de gratidão a Deus, com orações e festas, pelos bons acontecimentos ocorridos durante o ano. O Dia de Ação de Graças é comemorado no outono, após a colheita ter sido recolhida e atualmente é celebrado na última quinta feira de novembro.

 Portanto, hoje é Dia de Ação de Graças. E mesmo que no Brasil não seja uma data muito festejada, não custa nada sair um pouquinho das atribulações do nosso dia e reconhecer os motivos que temos para estar gratos a Deus e à vida que vivemos.

 Mesmo sem saber rezar, podemos exercitar a gratidão. A parte de nós que reconhece que mesmo diante das turbulências, ainda há motivos agradecer e reconhecer os presentes diários.

 Que minha gratidão seja maior que meu ressentimento diante das adversidades. Que meu espírito saiba reconhecer os presentes por trás da rotina, e que na correria do dia a dia eu ainda possa me encantar diante dos pequenos gestos. Que eu esteja grato desde o primeiro espreguiçar da manhã, e que possa entender os desfechos do meu dia com serenidade ao cerrar os olhos. Que o meu semblante carregue não somente o pesar pelos infortúnios diários, mas que encontre motivos para sorrir ao primeiro vestígio de benevolência e paz. Que haja fé, apesar das tempestades. Que haja serenidade, apesar das turbulências. Que haja gentileza, apesar dos tropeços. E que permaneça a gratidão, sempre e em todo lugar.

 O Universo devolve o que recebe. E ao demonstrar gratidão, um recado de amorosidade é enviado. Um reconhecimento pelas colheitas nos campos e em nossas vidas.
 Que nenhuma penumbra impeça nosso espírito de se sentir acolhido e abraçado.

 Talvez a gratidão seja um sentimento que necessita ser exercitado. E praticá-lo requer analisar nossa colheita diária buscando algo que possa ser devolvido com carinho ao Universo. Mesmo um dia puxado, carregado de dúvidas e frustrações tem sua parcela de bençãos. E a gente tem que se esforçar para tirar aquela gotinha de gratidão num mar salgado de inquietação.

 Esta noite não haverá uma ceia onde nos daremos as mãos e agradeceremos juntos as bençãos em nossas vidas. Mas poderemos sim, no silêncio de nosso quarto, lembrar com gratidão o que temos de fato. O teto sobre nossas cabeças, a saúde que nos possibilita estar de pé, nossas amizades, a oportunidade de estudar ou trabalhar, nossa capacidade de amar, os pequenos trunfos que acontecem diariamente, as conquistas que nos fazem sorrir e enchem nosso peito de alegria.

 Nem sempre haverá um circo dentro da gente. A maioria dos dias não tem banda animada nem soldadinhos marchando alegremente. Mas ainda assim, é possível agradecer pelo dom de ter um espírito livre, que nos garante uma boa safra no fim do dia. Dormir em paz, sabendo que nosso rio flui sem grandes desvios, é um milagre. E milagres têm que ser celebrados. Reconhecidos também. Que a gente possa reconhecer nossas dádivas, presentes miúdos que garantem a construção de nossa existência. E que cada dia arrecade a sua porção de fé e gratidão... Amém.

                                                                                                      FABÍOLA SIMÕES

Acerto de contas

 Participo de alguns grupos no whatsapp. Da minha turma de faculdade, da família, das mães das crianças do quarto ano. De vez em quando o celular funciona direitinho e consigo assistir a algum vídeo interessante. Dia desses dei sorte. Um dos vídeos, do Hospital Israelita Albert Einstein, trazia o título: "Os 5 maiores arrependimentos antes de morrer". Nele, alguns depoimentos intercalados com a fala de uma médica geriatra especialista em cuidados paliativos, traduziam o sensação de dar o melhor desfecho possível à vida que se extingue. Um acerto de contas com a própria existência.

 Num dado momento, a médica fala: "Essa é uma das coisas mais bonitas que acontecem no fim da vida. A gente perde a nossa capacidade de fingir". E percebemos que ela tem razão, que em algum instante de nossas vidas _ e esperamos que não seja no fim_ descobrimos que não tem porque ocultar o que temos de bom por dentro. E esse "bom por dentro" pode ser a nossa capacidade de demonstrar afeto.

 O tempo não volta. Por isso torna-se primordial não negar o que de bom existe dentro de nós. E agora me recordo de uma conversa com um grande amigo, colega de faculdade e padre, que contou que estava ajudando um jovem a se recuperar das drogas. O jovem estava preso, e por isso ele foi visitá-lo e levou dois iogurtes. O jovem se considerava uma pessoa má, incapaz de ter um traço de bondade dentro de si. Assim, disse ao padre que não adiantava insistir, ele não se tornaria uma pessoa do bem. Meu amigo não se deu por vencido. Disse que em algum lugar, bem dentro dele ou escondido em algum cantinho, ainda devia haver um traço de bondade. Ele teimou que não. Porém, quando meu amigo decidiu ir embora, percebeu que o jovem pegou um dos iogurtes e deu para seu colega de cela. Meu amigo enfim virou as costas e seguiu seu caminho pensando: "Ainda tem jeito. Olha aí o traço de bondade dentro dele".

 Precisamos acertar as contas com a própria existência. Não deixar para a última hora o que pode transbordar hoje. Romper a barreira de nossas regras e ultrapassar os limites de nossos cárceres. Deixar o que de bom carregamos dentro de nós vir à tona e saber conviver com a parte de nós que pode ser gentil e amorosa.
 Nem sempre é fácil conviver com nossas gentilezas. Ocultamos nosso perfume e mostramos nossos espinhos. E me pergunto: Por que? Talvez porque seja mais fácil endurecer. Ao adquirir rigidez nos modos, nos blindamos também. Resguardamos nossas fragilidades e com ela vai nossa docilidade. E isso torna-se mais evidente com as pessoas que nos são mais caras.

 O jovem que negava sua bondade soube dividir o iogurte com o colega de cela. Sem perceber, foi gentil. Que a gentileza nos pegue desprevenidos também. Que não seja tarde demais quando aprendermos a mostrar quem somos de fato, sem máscaras que disfarcem o quanto somos capazes de amar.

 Que a gente encontre principalmente o amor próprio, descobrindo que temos que nos dedicar à pessoa que somos também, que ela precisa de cuidados tanto quanto às outras, e que se isso não for levado em consideração, haverá mágoas no fim da vida.

 Que o excesso de zelo com nossas emoções não ocultem o que de melhor temos por dentro, e que não deixemos para a última hora a capacidade de deixar de fingir. De fingir que não somos bons, de fingir que não carregamos docilidades, de fingir que não somos melhores do que aparentamos ser...

                                                                                                FABÍOLA SIMÕES 

*Imagem: Via Tumblr

   

      

Entressafra

 Hoje acordei mais cansada que o habitual. Levei o pequeno à aula de inglês e dei uma passadinha na igreja. Minha mãe foi junto e pediu autorização para que eu conversasse com o padre da paróquia. Contei a ele meu desânimo, que vem se arrastando por meses, e ele disse para eu procurar um médico _ "pode ser anemia" _ foram suas palavras, e entendi o que queria dizer.

 Mal estar a gente sente a todo momento, e é comum atribuirmos a culpa por nossos desconfortos rotineiros a fatos que estão fora do nosso alcance. Então um desânimo poderia ser fruto de um ambiente de trabalho "carregado", cheio de inveja e maus espíritos. Dito isso, a causa do mal estar não estaria mais em mim, e sim naquilo que não posso controlar, e portanto, mudar.

 Estou num período de entressafra, e sei que é passageiro. E embora tenha motivos para me comover, como quando ligo a tevê e me deparo com a tragédia em Mariana, também fico sensível ao colocar meu menino pra dormir e imaginar que no dia seguinte ele estará um dia mais próximo da puberdade, num tempo longe das nossas brincadeiras e afagos tão maternais.

 De vez em quando é normal a vida caminhar pesada, carregada de vazios e com uma falta de sentido alarmante. Também acontece do choro irromper as barreiras do bom senso nas horas mais impróprias: o ônibus que não parou, o episódio do "Que Marravilha Chefinhos" em que a garotinha ganhou todas as estrelas, uma música bonita acompanhada de um pôr do sol visto da janela do carro, uma frustração no trabalho, uma indignação na vida.

 Ninguém está livre de maus momentos, e de se sentir caminhando com um peso amarrado nas canelas. Alguns períodos são mais difíceis que outros, e nesse processo de sentir, tolerar e passar por isso com um sorriso no rosto e muita paciência com a própria existência nos faz mudar muito também. Aprendemos a aceitar a inconstância dos dias, o vai e vem da esperança, a entrada involuntária do tédio. Vamos percebendo que já podemos suportar melhor as frustrações, que a falta de ânimo não nos derruba mais, que o cansaço pode ser contornado com algumas horas de sono e muito jogo de cintura.

 Somos os únicos responsáveis por mudar aquilo que vai mal na gente. E por mais tentador que seja atribuir a razão de nossas mazelas a fatos que não temos controle, isso não resolve. O que resolve é aproveitar esse momento para descobrir que parte da estrada você pegou errado, e tentar voltar nesse trecho pra consertar alguma coisa a partir daí.

 Pois na vida não existem atalhos, ou cortar caminho pra chegar mais rápido. A vida cobra cada etapa mal vivida. E pede que você volte três ou doze casas para refazer o que não foi bem feito. Pode ser que você tenha passado por cima de um luto, e agora fica sentindo essa tristeza a conta-gotas e não sabe o que é. Permita-se voltar ao ponto em que a dor doeu mais e recupere a chance de chorar esse choro até o fim.

 Não adie a alegria, mas perdoe-se quando encontrar-se num período de entressafra. Quem disse que ser feliz é ser perfeito? Tudo faz parte de nossa humanidade _ alegria, tristeza, tédio, esperança _ e aprender a tolerar os percalços com serenidade também é sinal de sabedoria.

 Que usemos esse tempo para aprender algo novo: uma oração, a chance de aprender a meditar, a vontade de se exercitar, a coragem de se apaixonar.
 E que dos espinhos surjam marcas de uma pessoa mais amadurecida, que pode florescer em qualquer estação, pois só quem viu seu solo secar pode dar verdadeiro valor à chuva que vai chegar...

                                                                                       FABÍOLA SIMÕES

"Ainda somos os mesmos"


 No feriado de 02 de novembro minha turma de faculdade se reuniu para comemorar nossos vinte anos de formados. Nos três dias de encontro, percebemos o quanto a vida caminhou, cumpriu seu papel fortalecedor, gerou frutos (o número de crianças comprovava isso), trouxe novas dores e muitas responsabilidades. Mas durante aqueles momentos de intensa comemoração, pudemos deixar em casa o excesso de zelo e preocupações e voltar a ser aqueles que modificaram Alfenas há vinte anos.

 Houve uma missa, celebrada por um grande amigo e colega de faculdade que se tornou padre. A celebração foi às margens de um rio, embaixo de um caramanchão. Ali nos demos as mãos e oramos juntos. Já não havia mais espaço para pensar no tempo que separou cada um de nós nesses vinte anos. Éramos de novo os colegas de classe, meninos de pernas de fora que se reuniam nas escadas da biblioteca e tinham sonhos, muitos deles, para quando a vida se cumprisse "de verdade".

 A vida se cumpriu de verdade. E descobrimos que nesta jornada a medida entre os acontecimentos bons e imperfeitos se contrabalanceou o tempo todo, e por mais difícil que tenham sido alguns momentos _ para todos, sem exceção_ estávamos reunidos ali, dando as mãos e agradecendo a Deus na beira de um rio. Nossos filhos estavam presentes para comprovar que a vida é cheia de ciclos, e que a gente pode sim voltar naquele ponto em que éramos tão felizes e livres. Que o bom da vida é essa capacidade de dar uma trégua quando o curso de nosso rio caminha turbulento, e descobrir que ainda somos os mesmos, apesar das ranhuras, faltas e falhas.

 Talvez a amizade seja isso. A capacidade de nos darmos as mãos em que tempo for. A possibilidade de voltarmos a ser quem éramos no instante em que nossas histórias são recontadas de um jeito novo. A vontade de que o tempo não desfaça os laços nem desate os nós. A permanência de quem fomos no olhar de quem nos vê. A construção de um tipo de amor que não se desfaz com o sopro do tempo, mas se recompõe ao primeiro toque de acolhida. A vontade de estar junto, mesmo que isso custe horas de estrada e algum sacrifício.

 Constatar que ainda somos os mesmos, apesar da bagagem adquirida por cada um, nos acalenta e fortalece para prosseguir. Pois descobrimos que amadurecemos, mas ainda conservamos algo em nós que permanece brilhando. Algo que não se perde nem com as ventanias nem com as tempestades. Algo que nos diz que estamos no caminho certo, apesar de vivermos histórias tão distintas.

 É por isso que reencontrar amigos nos faz lembrar. Lembramos quem um dia fomos, lembramos a parte de nós que deixamos numa curva do caminho, lembramos aqueles que desejamos voltar a ser. Talvez saudosismo não seja a palavra exata para nomear esse tipo de sentimento. Acredito que "resgate" defina melhor essa sensação de querer buscar a porção de nós que nos lembra que a vida pode ser decodificada de uma forma mais simples e bonita. A porção de nós que reafirma e recorda que ainda somos os mesmos, apesar do tempo, em que tempo for...

                                                                                        FABÍOLA SIMÕES

*Imagem: Reprodução via Tumblr

OBS: Gente: Não tenho Facebook pessoal. Porém, foram criados dois perfis falsos em meu nome. Um deles tem a minha foto, e está neste link: https://www.facebook.com/profile.php?id=100010429695945 . O outro está no link https://www.facebook.com/unetiks222 e está com meu nome completo e uma foto falsa. Se puderem denunciar, agradeço muito! É só clicar nos 3 pontinhos ao lado do nome e fazer a denúncia. MUITO OBRIGADA!!!



De volta...


 Ontem à noite minha página do Facebook foi devolvida. Estou escrevendo este post porque muita gente ainda tem dúvidas se sou eu mesma que estou postando por lá. Sim gente, sou eu!!!!

 Depois de muitas tentativas e muita burocracia, finalmente estou de volta, feliz por poder tomar conta do cantinho que criei com tanto carinho.

 Porém, os hackers roubaram um dos meus perfis, e estão usando meu nome completo _ Fabíola Simões de Brito Lopes_ para postar imagens falsas, e conteúdo de gosto duvidoso. Quem puder denunciar, por favor vá até a página www.facebook.com/unetiks222 e denuncie como "conta falsa" nos três pontinhos que aparecem ao lado do nome _ desde já agradeço!
 Também criaram um outro perfil, com o nome "Fabíola Lopes" e minha imagem para atrair as pessoas. Porém, não me representa.

 Meu Instagram continua sob domínio dos hackers, espero conseguir recuperar.

 Aos que foram bloqueados no Facebook (por terem me defendido na minha ausência), minha eterna gratidão! Já desbloqueei todos com muito carinho!!!!

 Quinta feira é dia de texto novo, e estarei aqui postando mais uma história sem falar de Facebook, Instagram e hackers, pois como se diz: "esse assunto já deu!"

 Um grande beijo e meus sinceros agradecimentos a todos vocês!
 Fabíola